Fotógrafo alerta sobre Amazônia: ‘estou cheio de revolta. É preciso elevar o tom’

O fotógrafo Araquém Alcântara acaba de voltar da Amazônia e relata em fotos e em texto a maior devastação da história. Ele diz: “eu estive lá e vi. E fotografei. Sou testemunha ocular. A Amazônia é a minha matriz criativa. Já foram mais de cinquenta viagens e expedições. Não de avião, mas andando, de mochila nas costas, de barco e de carro (…) E agora, com os recentes acontecimentos estou cheio de revolta. É preciso elevar o tom.”

O fotógrafo publicou um texto em seu Facebook e alertou: “como pode o presidente do país suspender apoio financeiro de Noruega e Alemanha- o Fundo Amazônia- que já aprovou 103 projetos no valor de R1,86 bilhão, e já desembolsou R$1,3 bilhão, desde 2008 quando foi criado? O pior é que esse fundo é gerido pelo governo brasileiro. Dinheiro europeu de graça, sob controle do Brasil.”

Ele ainda diz: “Não dá para entender: o Brasil não tem dinheiro para pagar bolsas de estudo e pode não ter dinheiro nem para a alimentação de recrutas. A imprensa noticia que desmate na Amazônia cresceu 15% (5.054 km quadrados em um ano, segundo o SAD ( Sistema de Alerta do Desmatamento) da ONG Imazon. O Deter, sistema do Inpe, adotado oficialmente, indica uma porcentagem muito maior, 50% ( 6.833 km quadrados ).

Alcântara acrescenta, sob emoção e indignação: “a intensificação do desmatamento é real, é coisa objetiva feita por satélites. E o cara diz que os dados não são reais, que não precisamos de dinheiro estrangeiro. Desmatamento livre é o que quer . Assim, como disse o poeta Carlos Drummond de Andrade, “ não haverá dia seguinte… o vazio da noite, o vazio de tudo será o dia seguinte” Assim,não haverá mais país.”

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