Pesquisa Brasilis/Genial revela como os eleitores avaliam seus candidatos

Uma pesquisa das intenções de votos à Presidência da República, feita pelo Instituto Brasilis e contratada pela Genial Investimentos, divulgada nesta quinta-feira (27), inova ao traçar o perfil dos candidatos na visão do eleitorado brasileiro.
É a segunda pesquisa divulgada pelo Instituto, que ouviu 1 mil pessoas, feita por telefones fixo e móvel, de modo aleatório, entre os dias 25 e 26 de setembro, com uma margem de erro de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Mas o que difere o levantamento de outros foi a pergunta relacionada aos “atributos dos candidatos”. Tratam-se de palavras-chave que indicam o que motivam os votos dos eleitores, também chamados de “key-drivers do voto”.
Nesse quesito, foram testados seis atributos de imagem: “combater a corrupção”, “ser pulso forte”, “tomar de volta o Brasil das mãos dos ricos”, “entender o problema dos pobres”, “ser gente como a gente”, e “fazer as pessoas comprarem e consumirem mais”.
De acordo com o cientista político e sócio-diretor do Instituto Brasilis, Alberto Carlos Almeida, a pesquisa detectou que cada candidato se caracteriza da seguinte maneira para o eleitorado:
Bolsonaro: o candidato que tem pulso forte para combater a corrupção;
Haddad: o candidato do social, tem o mesmo perfil de Lula em 2002 e 2006 e Dilma em 2010 e 2014;
Alckmin: os eleitores que ficaram com ele o valorizam mais por seu perfil social e, por isso, no segundo turno a maioria deles opta por Haddad;
Ciro: é o candidato que tem pulso forte para aumentar o poder de compra da população, e a proposta do SPC foi importante para formar esse perfil;
Marina: é a candidata que está ao lado do povo, mas não está associada à resolução de problemas, tal como a corrupção e o consumo da população.
De acordo com Almeida, duas características de Bolsonaro são a marca forte do candidato, uma vez que os números escolhidos para estas expressões (34,3% para “combater a corrupção” e 36,6% para “ser pulso forte”) se distanciam muito da média geral do presidenciável, que é de 27,9%.
Da mesma forma, isso revela, na visão do cientista político, “que seus eleitores têm poucos motivos destacados para votar nele”.
Já aqueles que votam em Marina Silva, Ciro Gomes e aqueles eleitores que restaram com Alckmin “têm características semelhantes aos eleitores de Haddad”, voltadas ao social.
Na visão de Almeida, a mudança no perfil de Alckmin, que até então não eram associados a medidas sociais, para o povo, ocorre porque o tucano perdeu os eleitores de centro-direita.
As características que os eleitores de Geraldo Alckmin assinalam é reveladora, demonstrando que ele “perdeu o eleitor típico do PSDB para o Bolsonaro, em particular por causa da característica ‘ter pulso forte, decidido’ que nas eleições anteriores esteve sempre exclusivamente associada ao candidato tucano”, apontou.
Assim, o diretor do Instituto Brasilis, responsável pela pesquisa, conclui que “o PSDB foi esvaziado pelo Bolsonaro”, e que, por isso, Alckmin não tem mais chances na corrida eleitoral: “ele já não consegue trazer para si o eleitor de centro direita”.
A pesquisa também registra o crescimento consistente da candidatura de Fernando Haddad (PT) e a queda de intenções de voto de Jair Bolsonaro (PSL).
No levantamento, Haddad teve um aumento de quatro pontos percentuais, atingindo 22% das intenções registradas, e Bolsonaro aparece com 27%, uma diminuição de três pontos percentuais em comparação ao levantamento anterior, divulgado no dia 21 de setembro.
Na simulação de segundo turno, Haddad vence com 44% das intenções de voto, contra 36% de Jair Bolsonaro, uma inversão na vitória de Haddad, em comparação à semana anterior, quando o candidato da extrema direita ganhava por 43% contra 39% do petista.
No relatório divulgado pela Genial Investimentos, Alberto Almeida também aponta que o aumento das intenções de voto do candidato do PT ocorre “em ritmo mais lento”, ainda que “sem sinais de reversão da tendência de fortalecimento”.
Enquanto que o enfraquecimento de Bolsonaro estaria, em sua visão, associado a ausência do candidato nos debates e atividades de campanha, além dos ataques da equipe de campanha do PSDB e à reação negativa de parte da sociedade, principalmente o eleitorado feminino.
Por fim, Almeida acredita que o resultado de Bolsonaro versus Haddad em um segundo turno já está definido: “Para que um dos demais candidatos se torne capaz de ir ao segundo turno, deslocando ou Bolsonaro ou Haddad, é preciso retirar para si, ao menos, 0,8 ponto percentual por dia dos candidatos favoritos a se qualificarem para o segundo turno. Não há sinais consistentes de que isso possa ocorrer”, concluiu.
Leia a íntegra do relatório da pesquisa abaixo ou clique aqui para download do arquivo

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